terça-feira, 14 de setembro de 2010

O homem dos seus sonhos: Marketing pessoal


As multidões ficavam fascinadas com os intrépidos discursos de João. Quando todos o valorizavam e enalteciam suas ideias, veio grande surpresa. João mencionou, enfim, o homem dos seus sonhos. O homem que por noites a fio ocupara o palco de sua mente. Todos ficaram paralisados com sua palavras . Haveria alguém maior do que o corajoso João?
Para surpresa dos ouvintes, ele disse algo assombroso sobre o homem dos seus sonhos. Afirmou que essa pessoa era tão grande que ele não era digno de desatar-lhe as correias das sandálias (Lucas 3:16). Que homem era esse a quem o destemido João deu um status que nenhum rei jamais tivera?
No seu conceito, aquele que durante décadas ele aguardava no deserto, e que não conhecia pessoalmente, era o Filho do Deus Altíssimo visitando a humanidade. O Autor da existência enviara seu filho para ter a mais enigmática experiência. Viera vivenciar a vida humana e esquadrinhar cada espaço da emoção, cada área das mentes, cada beco do consciente e do inconsciente humanos.
O homem do deserto não tinha medo de nada e de ninguém. Ele sabia que, por confrontar sem armas e publicamente o sistema político e religioso, poderia morrer a qualquer momento. Mas esses meso não o perturbava. Quando citava o homem dos seus sonhos, ele mostrava o outro lado da sua personalidade: uma reverência fascinante. Ele postulava para si apenas o papel de propagador de um homem que viera resgatar a humanidade e mudá-la para sempre. As palavras de joão abriam as comportas da imaginação dos seus ouvintes.
Algumas pessoas, enviadas pelos sacerdotes e fariseus, perguntaram a João quem era ele. Sua resposta foi enigmática e confundiu todos: " Eu sou a voz que clama no deserto, endiretai o caminho do Senhor" (João 1:23). Por que o "Senhor", que os israelitas julgavam ser o Deus Onipotente, precisaria de um ser humano, e sobretudo de um homem estranho e sem cultura, para lhe preparar o caminho?
João nascera e crescera fora do sistema social. Não estava contaminado pelas vaidades, arrogâncias e injustiças do sistema, que o rejeitou e o condenou veementemente. O caminho que ele fora incubido de preparar não era físico. Era o caminho do coração e do espírito humanos. João era um trator sem freios que tinha vindo arar os solos emperdenidos da alma humana, preparando-os para receber o mais fantástico, delicado e gentil semeador: Jesus de Nazaré.
Para Jesus a humanidade não era um projeto falido. Apesar das guerras, dos estrupos, dos assassinatos, da violência e das loucuras sociais marcarem negativamente a humanidade, ele investiu toda a sua vida nesse projeto. O Mestre da Vida queria atingir um estágio onde os tranquilizantes e antidepressivos mais modernos não conseguem atuar.
Ele não veio reformar o ser humano, dar um manual de conduta ou produzir uma paz temporária. Ele veio produzir um ser novo. Ninguém teve uma ambição tão grande. Jamais alguém apostou tanto em nós.

By Fernando Ademar da Silva

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